A madrugada passada definitivamente colocou um pai e uma mãe no alto escalão dos que estão envelhecendo.
A partida de um filho é algo simplesmente complexo, doloroso, necessário... e inevitável.
É como se um pedaço nosso saísse pela porta carregado de malas.
Um adeus, muitas lágrimas (externas e internas) e a quase certeza que nunca mais conviveremos da mesma maneira que convivemos há anos com aquele nosso ser amado.
Mas não tem jeito.
Filhos são criados para o mundo, não são nossos eternos brinquedos e um dia com certeza partirão para terem as suas vidas, os seus amores, os seus filhos, os nossos netos.
E nossa querida, linda e geniosa filha Amana se foi.
Perdoem-me todos que passaram por isso; não quero lembrá-los de situação tão constrangedora, mas a gente descobre cada coisa na vida.
É que eu tenho alguns amigos que vivem me mandando ir ao urologista cuidar da minha próstata, já que eles já foram, é legal, não tem nada demais, faz parte da vida, blablablá, blablablá, blablablá.
Então, ontem fui ao temido urologista para fazer o temido (para alguns) e delicioso (para outros) exame de próstata.
Sentei-me e a primeira coisa que fiz foi olhar o tamanho do dedo do sujeito.
Consulta vai, consulta vem, ele me perguntou se já tinha feito o tal PSA.
Eu disse que sim, e que o resultado fora bem baixinho: 0,22.
Então, o sujeito me mandou fazer uma ultrassonografia da próstata (feita pelo abdome).
Achei estranho e aliviado perguntei:
Ué, não tem que fazer o exame do dedo?
Exame de próstata, dedada-img google:karaminholas.zip.net
O sujeito disse:
Não, primeiro eu mando fazer o PSA e a ultrassonografia; se o resultado der alterado aí eu faço o exame convencional; o dedo, sabe?
Questionei:
Mas tem um monte de amigos meus que sempre levaram a dedada, nunca fizeram ultrassonografia.
Esse é o meu método, existem outros urologistas que vão direto ao assunto. Talvez os seus amigos não gostem de gastar dinheiro com exames, ou talvez se sintam mais confiantes com o método antigo, ou às vezes é apenas uma questão de gosto - respondeu o sujeito.
Pensei comigo:
Confiantes, é?
Acho que é questão de gosto.
Como pode?
Os caras fazem o exame duas vezes ao ano e sempre levaram a dedada.
Será que esse urologista é doido?
Sabe como como é; amigo é amigo e vou acreditar que eles são muito 'pobrezinhos' e não podem gastar dinheiro com exames desnecessários; se for o dedo, só paga a consulta.
E afinal de contas, o que é uma dedada no rabo, né?
Cada história cabeluda!
Mas vou tirar isso a limpo.
E vai ser hoje.
TõeRoberto
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ACREDITE SE QUISER: Conheci um sujeito que depois de velho se tornou urologista só para se vingar dos urologistas.
Categoria: CRÔNICAS Escrito por TõeRoberto às 07h21
Sempre olhei para fora de mim mesmo a vida inteira; sempre raso, condicionado, vivendo a curta e fútil existência com a seriedade dos tolos, me achando o máximo dos máximos.
Sempre de cabeça em pé, peito erguido, as palavras saltando da boca e dos dedos para legitimar a minha presença entre os milhões de tipos de vidas do planeta, como se isso fosse importante.
Batalhador, a juventude saindo pelos poros em todas as idades que tive, sempre fiz da vida o palco das minhas duras e diárias batalhas; sempre com orgulho da minha pessoa.
Durante anos vivi dessa maneira, até que de uns tempos para cá passei a me olhar por dentro.
E o meu olhar por dentro aos poucos foi me abrindo o mundo, o único mundo que existe de fato: a consciência.
E eu comecei a entender a bestialidade de viver a vida como 'eles' me apresentaram.
Novo mundo, amanhecer-img google:karaminholas.zip.net
Entendi que sou boneco deformado feito por milhares de mãos.
Não sou criatura inteira, não tenho sequência lógica, sou feito de milhares de retalhos de informações do passado, de comportamentos que não podem morrer.
Daí a minha confusão existencial, a tolice, a bobagem de levar a vida a sério, o acreditar na minha importância, o ter que lutar duras batalhas; daí a crueldade de ter sido aprendiz de consciências que foram aprendizes de consciências - linha direta com a eterna e conservadora aprendizagem da humanidade.
Daí a maldade de a sociedade aprisionar o pensamento do mundo nas raízes do seu passado.
Eu quero mudar o meu comportamento, não quero mais saber o que aprendi do passado, quero minha cabeça vazia de informação; quero preenchê-la a partir de agora com o que aceito como as únicas e boas razões de existir:
Humanismo, liberdade, solidariedade, igualdade, justiça, ética e o direito de ser único, o novo mundo...
O doce e eterno amanhecer do renascimento do novo homem.
Junto com bilhões de outros únicos únicos.
TõeRoberto
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PROMESSAS PARA 2012: Curtir a vida adoidado sem estar no hospício.
Categoria: CRÔNICAS Escrito por TõeRoberto às 07h40
Hoje amanheci incomodado com um monte de coisas que ouço e leio; entre elas essas conversas sem sentido sobre mentiras e verdades. Acho que foi por conta dos pesadelos que tive essa noite com os comentários de pessoas ditas de bem sobre a ação da polícia do PSDB em Pinheirinho, em São José dos Campos; um horror!
E pensei: as palavras nem sempre trazem em seu conteúdo a mentira e a verdade, mas a mentira e a verdade sempre trazem em seus conteúdos as palavras.
E me perguntei: e que caralhos são a mentira, a verdade e a palavra? Banalidades filosóficas? Pessoas exercitando o seu direito de serem tolas? Ou o governo de São Paulo mascarando a sua completa falta de escrúpulos e a sua clara tendência ao fascismo?
TõeRoberto
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ACREDITE SE QUISER: Eu não disse uma palavra, mas ela me mandou calar a boca.
Categoria: COTIDIANO Escrito por TõeRoberto às 08h32