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    Karaminholas


     
     

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    "Num é nada não, sinhô. Grito que o sinhô tá ovino com os zovido seu num é nada não, de nada. Já é longe, ante de tresantonte. Vivia na abastança. Ruindade nos miolo, sabe? Primero, o mar detráis da serra; depois, a lua. "Vem cá, lua! Vem cá, lua!" Foi de tanto oiá cus'óio arregalado no clarume dela, de tanto. Castigo de santo milagrero. Num tem cura não, de nada."

    Era João Teodoro. Matutava, há meses, possuir o mar. João Teodoro e seu desejo aquático, em questão, não pressupunha que tal desejo de possuir, que fosse, um pingo d'água sequer, convergia inapelavelmente a vida ao choque com o seu caráter extremamente introvertido, de gente pra dentro. Mas lá se ia. À noite, ao balançar brilhante, pasmoso, ofuscante da lua, sonhava banhos verdes, canções esparsas, corpos seminus, toques de dedos no ser molemente- movente-bravo, que através de séculos, eternidades, desperta as mais incabíveis e estranhas paixões em gregos, troianos e brasileiros. O mar.

    Essa estranha ansiedade íntima que brotava confusa, forte, doída, no fundo dos peitos, no fundo da retina retrateira, estraçalhava-o no abismo da alma, num barulho de pequena concha, dessas que tomada às mãos e levada ao ouvido transmite um chuá cheirosamente verde e brisante. A ansiedade.

    João Teodoro, o mar, a paixão. Paixão dura, parasita, encoberta de sonhos de marinheiro, barqueiro, jangadeiro e de criança sonhante a construir castelos de areia branca em tardes de sol vermelho e quente.

    Cismava, e quando o fazia era o gigante João Teodoro, conquistador de céus e terras. Copo na mão, mar aos pés, copo cheio: glut glut glut. Era uma vez um universo líquido, era uma vez.

    João Teodoro queria possuir o mar, porque queria: o mar. Mariazinha das Claras, esposa cuidadeira, desesperava-se:

    - Oh! João, por que não escolhe a lua? Por quê?

    Nada. Silêncio. Palavrão.

    A noite.

    O quadro da janela, claro por dente, escuro por fora. A alma penada. O cão. A coruja. João Teodoro contemplando a lua torta, desejoso. Fotografia na mão, diante dos olhinhos pequeninos, admirados, possuidores, encantados e sombrios. Seu sonho.

    - Mariazinha, quero o mar. Mariazinha, quero o mar. Eu morro e não tenho o mar.

    - Mas João, o mar ninguém pode. O mar é bravo. O mar é infinito. O mar é das crianças brincarem, dos homens se alimentarem, dos seres viverem. Por que não a lua, João? Por que não a lua?

    A angústia.

    Retraia-se o homem no peito. Não tinha fome. Não tinha sede. Não tinha corpo pra nada. Esvaia-se a vida dos olhos vazios num desejo alucinado. A vida.

    Uma manhã.

    Levantou-se cabisbaixo, sem palavra que fosse, sem gesto, sem necessidade. Amuou-se na porta da cozinha e viu o verde brotando, dobrando serras, alimentando o gado, deslizando firme além fronteira rumo ao indefinido, como se movesse verdemente pelo chão plano do mundo. A voz rouca:

    - E o mar? Onde está o mar?

    A decisão.

    Trouxa às costas. Beijo na mulher. Abraço nos pequeninos. Bênção. Pôs-se a caminho. Caminhava com os peitos cheios de uma estranha esperança, de uma saborosa alegria. Ia em busca do mar. De longe os ouvidos escutaram Mariazinha das Claras, esposa cuidadeira:

    - Ô João! por que não a lua? O mar ninguém pode. O mar é bravo. O mar é das crianças brincarem. O mar é infin...


    A voz sumindo-se no vazio da distância.

    O tempo.

    As folhas caíram. Renasceram. O sol. A chuva. As flores. Mariazinha rezava baixinho. Chorava baixinho. Nos cabelinhos, outrora negros, a neve caiu mansamente, imperceptivelmente. Mariazinha exclamava:

    - Oh! João. Por que não a lua? Por que o touro em vez do cordeiro?

    O tempo, no relógio imaginário da parede, escoava-se, clamava os viventes velhos. Clamava, o tempo. João Teodoro, o mar. Mariazinha, o tempo.

    A volta.

    João Teodoro, um caquinho de homem, desprovido de vontades, de velocidade, de espaço, de aventuras, de estórias, de fala. Mais cansado que velho, mais violentado que ferido. Achegou-se no cantar do galo, no brotar das flores, no brilhar do sol, na estação da alegria. Sem fala. Não queria fala. Mariazinha acercou-se manquitolante, titubeante, tremulante.

    - O mar, João! Onde está o mar?

    Inerte estava, inerte ficou. Só que os olhos se moveram distraídos, distantes, vagos, deixando transparecer no falso brilho uma melancólica inquietação, uma profunda amargura. Depois a mão sem vontade, sem pressa, sem firmeza, caminhou para o bolso roto e de lá tirou o vidrinho branco, ainda úmido, e entregou à Mariazinha, que mantinha no rosto uma atitude assustada.

    - Mas João! Isto... Isto não é o mar. O mar não caberia aqui. O mar é grande. O mar tem ondas, barcos, peixes. O mar é infinito.

    - A desgraça, Mariazinha, a desgraça. Possuí o mar. Como era grande, feroz, forte, belo. Aquele verde. Aquele verde-azul misterioso, vigoroso, puro. Vem de todos os lados: de cá, de lá; de lá, de cá. Possui-se o mar de todas as direções. Ah! Mariazinha, como é bonito o mar. As andanças foram longas. Os martírios infinitos. As feridas do corpo não contam. Mas eu possuí o mar. Possuí como ninguém até hoje conseguiu fazê-lo. Lutou, o mar lutou. Eu o venci. Enjaulei-o neste minúsculo vidro que tem nas mãos. Ele rebelou-se; mas eu forte, mais forte que seus estrondos nas pedras, mais valente que suas ondas bailarinas, atarraquei-me a ele e o pus no bolso. Os homens, Mariazinha, os homens, suas feições abismadas; não conseguiam acreditar no que viam. Juntou gente, muita gente, para ver João Teodoro dominar o mar. Pobres. Pobres, Mariazinha, que são os homens. João Teodoro venceu aos olhos dos homens. Baixaram a cabeça envergonhados, Mariazinha, envergonhados! O peso, Mariazinha, do mar me deixava velho, me cansava as pernas, me esbranquiçava os cabelos. Às vezes, à noite, rugia nervosamente em meu bolso querendo sair. Eu, onipotente, segurava-lhe a braveza com estas mãos. Queria que visse. Estava trazendo-o para você. Era também seu, de direito. De direito, Mariazinha, de direito. A desgraça, Mariazinha, a desgraça. O homem magro, esquelético, sentado na pedra do caminho esperava-me. Acercou-se-me. Sabia do meu feito. Queria cumprimentar. Queria ver o mar. Queria porque queria. Nunca tinha visto. A dó, Mariazinha, a piedade, foram minha perdição. Lutei sozinho na minha posse. Sofri, senti as dores da batalha. Perdi meu sangue na vitória. Julgava o magro também no direito de deliciar-se com minha conquista. Deixei, Mariazinha, porque é de honestidade todos os homens deixarem. E ele, Mariazinha, o maldito, com aquela grandeza nas mãos incapazes de segurar o peso da vitória conquistada, trêmulo como um bambu, mais morto que vivo, retirou a minúscula tampa e... e fez, Mariazinha, fez, com um branco de terror e satisfação cravados no olhar, com que o meu mar, nosso mar, escorresse violentamente entre as folhinhas verdes da relva, como uma insignificante gotinha d'água. Uma insignificante gotinha d'água, Mariazinha. Matei-o, Mariazinha, matei-o afogado nas gotinhas verdes-azuis do nosso mar espalhado na relva. Matei-o e o matarei de novo no céu e no inferno.

     Levar-te-ei a Lua, Mariazinha. Levar-te-ei a lua (Google)
    Alcançando a lua

    Olhos esfomeados como o cão. A cabeça em posição caída para trás. A noite. Observou que observou. Cheia, quase uma deusa no céu escuro, banhada do amarelo ofuscante dos outros astros, a lua. Pensou, sorriu, guardou uma esperança risonha nos cofres do coração e abraçou Mariazinha das Claras, esposa cuidadeira.

    - Trar-te-ei a lua, Mariazinha! Trar-te-ei a lua ao amanhecer.

    Madrugada.

    - Eh João! - Mariazinha chama. Eh João!

    Põe as mãos nas vistas e avista lá longe, no alto da serra, no meio do verde mundo, João Teodoro, com um bambu muito comprido, na ponta dos pés, tentando alcançar a lua. A voz rouca, longínqua, sentida, ferida, fazia-se ouvir universo afora, num calafrio mortal, desumano, animal.

    - Levar-te-ei a Lua, Mariazinha. Levar-te-ei a lua.

    Mariazinha, o pranto. O pássaro, a gaiola. O tempo, a vida. João Teodoro, o mar, o bambu, a lua, o homem.

    "Sinhô num liga não. Sinhô é das bandas da cidade grande. Lá num tem disso de dismiolança, num tem. Tô aqui sentada ideiano da vida. Num foi nada. Gosto de contá, de falá coisa com coisa. O canário da gaiola anda meio perrengue de tanto grito escuitá. Sinhô num liga não. Num é nada não. Num é não, de nada. O home quando perde as ideia num fica home não. Vira bicho do mato, vira lobisome. Sinhô num liga não. Tô aqui só ideiano da vida. É nada não. Nada não, de nada".

    Antonio Medeiro



    Categoria: CONTOS
    Escrito por Antonio Medeiro às 16h07
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    PERGUNTAS SOBRE MERDAS

    Uma pergunta que anda a me dar coceira no furico, pra não dizer cu:

    Se o judiciário manda prender o legislativo, o executivo e o povo quando fazem merda, quem é que manda prender o judiciário quando faz merda?

    Se o judiciário manda prender o legislativo, o executivo e o povo quando fazem merda, quem é que manda prender o judiciário quando faz merda? (Google)
    Justiça brasileira

    O Satanás?

    Antonio Medeiro



    Categoria: CRÔNICAS
    Escrito por Antonio Medeiro às 08h53
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    VÁ FALAR MERDA ASSIM NA CASA DO CARALHO

    É irritante!

    Saco cheio da BURRICE BURRICE MESMO, ou da BURRICE DISSIMULADA.

    Os infelizes que criticam o Bolsa Família parece que nunca saíram da rua onde nasceram.

    Os abestados sempre saem com essas, entre outras:

    "Vá arrumar emprego! Vá estudar! É preguiçoso! Bolsa Família cria gente folgada! Vagabundos! Absurdo! Etc etc etc".

    Bando de hipócritas dissimulados!

    Não têm a menor ideia do que falam.

    Falo por conviver de perto com o problema por mais de 20 anos.

    Morei no Rio Grande do Norte 2 vezes.

    Morei na Paraíba.

    Morei em Pernambuco.

    Morei na Bahia 2 vezes.

    Nasci e morei em Minas Gerais 4 vezes.

    Morei em São Paulo 4 vezes.

    E viajei pelo Ceará, Alagoas e Sergipe.

    Os abestados não têm a menor ideia do que é o sertão do Nordeste.

    A situação é lamentável.

    Os abestados não têm a menor ideia do que é o sertão do Nordeste (Google)
    Miséria no Brasil

    Situação essa sustentada, há anos, pelos mesmos canalhas que estão no governo agora.

    Meu amigo, antes de falar besteira você precisa viajar um pouco, andar por aí, conviver com o Brasil marginalizado, ver, aprender, talvez ganhar um pouco de humildade e humanidade, talvez deixar de ser um idiota mal informado.

    Embasar a sua vida, as suas opiniões na Globo, na Veja, na Folha de São Paulo, na casa do caralho não dá.

    Tenha um pouco de hombridade.

    Vá se informar melhor antes de sair falando merda pelas redes sociais.

    É o mínimo que você pode fazer por você e pelo Brasil.

    Obrigado.

    Antonio Medeiro



    Categoria: CRÔNICAS
    Escrito por Antonio Medeiro às 09h54
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    INSISTINDO: É GOLPE, OUVIU?

    A mídia dos maiores paÍses do mundo capitalista (CAPITALISTA, OUVIU?) está dizendo (PELA VOZ GAGUEJADA DA GLOBO, OUVIU?) que o que aconteceu no Brasil foi golpe (GOLPE, OUVIU?).

    A mídia dos maiores paÍses do mundo capitalista (CAPITALISTA, OUVIU?) está dizendo (PELA VOZ GAGUEJADA DA GLOBO, OUVIU?) que o que aconteceu no Brasil foi golpe (GOLPE, OUVIU?) (Google)
    Golpe de Estado no Brasil

    E o infeliz que se veste de amarelo e bate panelas sob as ordens da Globo acha que é Democracia.

    O que esse infeliz é?

    Rico?

    Fascista?

    Pau-mandado?

    Lesado?

    Ou burro mesmo?

    Que merda é essa?

    Antonio Medeiro



    Categoria: CRÔNICAS
    Escrito por Antonio Medeiro às 02h38
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    TEMPOS DO ÓDIO

    O infeliz baba e caga nas redes sociais palavras de repúdio aos governos Bolivarianos (acusam o governo sem saber o que estão falando), mas o infeliz não tem medo do Estado Teocrático que os Malafaias, os Felicianos, os Bolsonaros, os Macedos, os Valdomiros e outros estão, político por político, tentando impor ao país.

    Afinal de contas, infeliz, você que fala com tanto medo e ódio a palavra "Bolivariano" sabe o que ela, na sua essência, significa?

    E Teocracia, você sabe?

    Você sabe que no Estado Teocrático você pode ser levado à fogueira?

    O Estado Teocrático pode te levar à fogueira (Google)
    Tempos do ódio

    Cuidado!

    Estamos nos tempos do amor nos tempos do ódio.

    Antonio Medeiro



    Categoria: CRÔNICAS
    Escrito por Antonio Medeiro às 05h41
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    MEDIOCRIDADES E BURRICES

    A pergunta que não quer calar:

    Como é que um bando de medíocres, apoiados por um bando de medíocres, tomaram de assalto, da noite para o dia, um país de 200.000.000 de pessoas?

    Como é que um bando de medíocres, apoiados por um bando de medíocres, tomaram de assalto, da noite para o dia, um país de 200.000.000 de pessoas? (Google)
    Mediocridades e burrices

    Alguém aí pode me esclarecer, por favor!

    Ou será que é carma?

    Antonio Medeiro



    Categoria: CRÔNICAS
    Escrito por Antonio Medeiro às 07h53
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    MALDIÇÃO

    Deixo aqui uma maldição para todos os que apoiaram o golpe:

    Que todos vocês sejam bem 'justos' para a estrovenga do Temer entrar bem apertada...

    Que todos vocês que apoiaram o golpe sejam bem 'justos' para a estrovenga do Temer entrar bem apertada (Google)
    Estrovenga

    E doer.

    Antonio Medeiro



    Categoria: CRÔNICAS
    Escrito por Antonio Medeiro às 07h23
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